Cole Young: Um Protagonista de Sabor Armrgo
Cole Young é o típico caso de um protagonista que deixa um gosto amargo na boca. Para quem assistiu ao filme Mortal Kombat (2021) e conhece pouco dos jogos, talvez ele não tenha incomodado tanto. Mas quem acompanha a franquia desde os primórdios sabe muito bem os vieses que a criação deste personagem trouxe para a adaptação.
Por muitos anos, fui cético quanto a futuras adaptações de Mortal Kombat para o cinema. Mas após assistir a Mortal Kombat 2, que estreou na última semana, mudei de opinião — para melhor. Inclusive, perdoei a existência do Cole e revi meus conceitos sobre o personagem!
Cole Young: Desnecessário ou Deslocado?

Cole é o exemplo de um personagem prejudicado pelo contexto. Além de o protagonismo excessivo ter acelerado seu desenvolvimento no primeiro filme, tornando sua “jornada do herói” algo simples demais, seu tempo de tela e importância foram os pontos que causaram maior discórdia entre os fãs. Isso, é claro, somado à linhagem vinda de Scorpion, relacionando Cole aos Shirai Ryu — o que, para quem acompanha os detalhes da história original, soou como um exagero para tentar forçar relevância ao personagem.
A verdade é que, se Cole fosse no primeiro filme o que é no segundo, talvez tivesse sido bem aceito. Sem spoilers: no segundo filme, Cole é apenas “um dos membros que lutam pela Terra” e isso, por si só, é suficiente. Ele está ali como Liu Kang, Sonya e outros combatentes. Já conhecemos a origem deles, já simpatizamos com eles. Está ótimo.
O segundo filme se sustenta muito bem ao aceitar o fato de que “os lutadores estão ali, ponto final”. Se o primeiro longa tivesse dosado melhor o tempo de Cole em relação aos seus pares, talvez o impacto inicial não tivesse sido tão negativo.
Cole Young nos Jogos Mortal Kombat?

Pela primeira vez, me vi querendo que Cole fosse adicionado aos jogos. Meu maior incômodo com sua criação sempre foi o fato de que ele poderia ter sido um personagem já existente, porém pouco explorado. Mas preferiram criar um novo.
Talvez um Cole nos games não precisasse ter uma relação direta com os Shirai Ryu, nem a “marca do escolhido” — conceito introduzido no primeiro filme e sutilmente descartado no segundo (que foca mais no fato de serem combatentes escolhidos pelos deuses). Ele poderia estar lá como um personagem novo, com habilidades bacanas, ou até como um Easter Egg ou um Kameo relevante. Como muitos brincaram no passado, ele poderia ser a verdadeira identidade do “Krypt Guy”. Eu adoraria.
Imagino que isso não vá acontecer, especialmente porque Ed Boon já declarou ter considerado Cole para o Mortal Kombat 1 e descartado a ideia. Mas, como o MK1 mexeu muito com o conceito de multiverso (do qual, honestamente, não gostei muito), a inclusão dele seria fácil.
O Futuros dos Games

Sabemos que a história de Mortal Kombat nos jogos vive de reboots. Mesmo assim, a forma como trataram o multiverso em MK1 me desagradou. Meu desejo real para os games é que voltem a uma linha única, sem distorcer tanto a origem de personagens estabelecidos (como Scorpion e Sub-Zero, cujas histórias foram bem modificadas no último jogo). E que, eventualmente, Cole apareça por ali, mesmo que seja um coadjuvante. Pelo menos poderíamos dizer que todos os personagens dos filmes estão nos jogos e vice-versa. Mas, por favor: parem de criar personagens novos para o cinema. Usem os que já existem primeiro e todo mundo fica feliz. (Nota pessoal: Kitana e Johnny Cage brilham no novo filme, e eu adorei a forma como suas jornadas foram retratadas, dando uma nova visão no que poderia ser outra “linha do tempo” do torneio original).
E você? O que acha do Cole Young? Curtiu o novo filme e o que espera do futuro da franquia nos jogos?
